Abril Azul: “Nem tudo é autismo”, alerta nutricionista

No mês da conscientização do TEA, especialista destaca a importância de investigar comorbidades e deficiências nutricionais que podem agravar os sintomas que não fazem parte, necessariamente, do transtorno


Abril é o mês da conscientização do autismo, período em que debates sobre inclusão, respeito e a importância de compreender melhor o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganham destaque. A campanha global, criada pela ONU em 2007 e marcada especialmente pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, busca derrubar preconceitos e ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de ser e existir das pessoas autistas.

Neste contexto, um alerta importante vem da área da nutrição funcional: “nem tudo é autismo”. A afirmação é da nutricionista brasiliense Carla de Castro, especialista no atendimento de pessoas com TEA, e chama a atenção para a necessidade de olhar além do diagnóstico e investigar comorbidades que muitas vezes são negligenciadas no acompanhamento de crianças e adultos no espectro.

“Importante reforçar que nem tudo é autismo. Questões como alterações gastrointestinais, seletividade alimentar, alergias e deficiências nutricionais não são, necessariamente, manifestações do transtorno. Muitas vezes, são comorbidades que coexistem e que exigem avaliação cuidadosa e tratamento individualizado.” destaca.

Segundo Carla, sintomas como irritabilidade, distúrbios do sono, agressividade ou autolesão podem estar diretamente ligados a dores físicas ou quadros inflamatórios - muitas vezes ignorados. “É comum vermos famílias perdidas sem saber por que a criança está tão agitada, arredia, com comportamentos desafiadores. A resposta pode estar no intestino, na alimentação, na deficiência de vitaminas e minerais. Mas é preciso investigar com profundidade”.

A nutricionista reforça que a nutrição deve ser vista como base para o tratamento do TEA, já que pode contribuir diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento das pessoas autistas. “Quando ajustamos a alimentação de forma individualizada e funcional, os ganhos são perceptíveis: melhora na cognição, no sono, no comportamento e na disposição. É um passo fundamental no cuidado com o ser humano, e não apenas com o diagnóstico”.

No mês em que o mundo se veste de azul para celebrar a diversidade e reforçar a importância da inclusão, o convite da nutricionista é claro: “entenda, respeite e abrace - mas também investigue, acolha e trate além do rótulo”.

Sobre Carla: 

Carla de Castro é nutricionista clínica funcional, pioneira na área de transtornos do neurodesenvolvimento no Brasil. Professora, palestrante e especialista em autismo, TDAH e saúde mental. Sócia-fundadora da Clínica Sallva – Nutrição e Saúde Mental, em Brasília, Carla desenvolve projetos voltados para a melhoria da qualidade de vida de pacientes de todas as idades. É também criadora e apresentadora do podcast Doses de Atipicidade, que vai ao ar semanalmente às terças-feiras, às 12h30. O programa é um espaço de informação, acolhimento e escuta ativa sobre neurodivergências, com foco em saúde, comportamento e inclusão. Assista no canal do YouTube: youtube.com/@dosesdeatipicidade. 

Mais informações: https://linktr.ee/clinicasallva


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